Cybersecurity não falha por falta de investimento - falha por investimento mal priorizado
- Carlos Giliarde

- 20 de mar.
- 2 min de leitura

É comum ouvir que empresas sofrem incidentes graves porque “não investiram o suficiente em cybersecurity”. Mas, depois de acompanhar de perto ataques, crises operacionais e decisões difíceis em momentos críticos, minha percepção é outra.
Na maioria dos casos, o problema não é quanto se investe, mas onde se investe. Cybersecurity
O Cyber Security Report 2026 mostra que os ataques mais impactantes de 2025 não exploraram falhas técnicas sofisticadas ou zero-days raros.
Eles exploraram identidade, processos legítimos e pontos cegos de visibilidade.
Em muitos desses casos, os ambientes tinham ferramentas modernas, múltiplas camadas de proteção e orçamentos relevantes.
Ainda assim, o ataque avançou.
Por quê? Porque a segurança não falha quando falta tecnologia.
Ela falha quando o investimento não conversa com o risco.
Vemos empresas reforçando perímetro enquanto o problema está na identidade.
Investindo em ferramentas isoladas enquanto o atacante opera silenciosamente entre sistemas que não se conversam.
Comprando mais alertas quando o que falta é contexto para decidir.
O relatório aponta, por exemplo, que quase metade das campanhas de malware analisadas em 2025 envolveu o próprio usuário executando ações maliciosas sem perceber, seguindo fluxos que pareciam legítimos.
Isso muda completamente a lógica de priorização.
Não adianta apenas “bloquear melhor” se o ataque se parece com operação normal.
Outro dado que chama atenção é o tempo de permanência do atacante. Em vários casos, foram semanas de atividade silenciosa antes do ransomware aparecer.
O impacto não veio da falta de resposta, mas da resposta tardia, quando o controle já havia sido perdido.
Isso nos leva a uma reflexão importante: segurança madura não é aquela que acumula controles, mas a que reduz incerteza.
É aquela que ajuda a responder perguntas simples, mas críticas:
Isso é comportamento esperado ou desvio?
Esse acesso faz sentido agora?
Estamos vendo eventos isolados ou uma campanha em andamento?
Quando o investimento não prioriza essas respostas, o risco permanece, mesmo com orçamento alto.
Talvez o desafio de 2026 não seja convencer as empresas a investir mais em segurança, mas ajudá-las a investir melhor. Com foco em identidade, visibilidade integrada, contexto e capacidade de decisão no tempo certo.
No fim, segurança não é se trata das melhores e atuais ferramentas, mas em enxergar melhor o que já está acontecendo.
E isso, infelizmente, ainda é onde muitos ambientes falham.




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